Dente
de Leão do lugar onde caíra e levantou-se sobre ele,
segurando a espada com as duas mãos.
Joffrey soltou um som choroso e assustado quando
olhou para cima, para Arya.
- Não - disse -, não me machuque, Vou contar para
minha mãe.
- Deixe-o em paz! - gritou Sansa à irmã.
Arya girou e atirou a espada ao ar, colocando todo
seu corpo no movimento. O aço azul relampejou à
luz do sol quando a espada rodopiou sobre o rio.
Atingiu a água e desapareceu com um borbulhar.
Joffrey gemeu. Arya correu para seu cavalo, com
Nymeria a trotar logo atrás.
Depois de terem desaparecido, Sansa foi até junto do
Príncipe Joffrey, que tinha os olhos cerrados de dor,
a respiração entrecortada, e ajoelhou-se a seu lado.
-Joffrey - soluçou. - Ah, veja o que eles fizeram, veja
o que eles fizeram. Meu pobre príncipe. Não tenha
medo. Eu vou a cavalo até o castro e lhe trarei ajuda
- com ternura, ela estendeu a mão e afastou para
trás os suaves cabelos louros.
Os olhos dele abriram-se de repente e olharam-na, e
neles nada havia além de repugnância, nada além do
mais vil desprezo.
- Então vai - ele cuspiu. - E não me toque.

Eddard

- Encontraram-na, senhor.
Ned pôs-se em pé de um salto.
- Os nossos homens ou os dos Lannister?
- Foi Jory - respondeu o intendente Vayon Poole. -
Não lhe fizeram mal.
- Graças aos deuses - Ned respondeu. Seus homens
andavam à procura de Arya já há quatro dias, mas
os homens da rainha também participavam da busca.
- Onde ela está? Diga a Jory que a traga para cá
imediatamente.
- Lamento, senhor - disse Poole. - Os guardas do
portão eram homens dos Lannister e informaram a
rainha quando Jory a trouxe. Ela foi levada
diretamente perante o rei...
- Maldita seja aquela mulher! - Ned amaldiçoou,
caminhando a passos largos para a porta. - Vá à
procura de Sansa e a traga à sala de audiências. Sua
versão pode ser necessária - desceu os degraus da
torre submerso numa raiva rubra. Ele próprio
dirigira as buscas durante os primeiros três dias, e
quase não dormira uma hora desde o
desaparecimento de Arya. Naquela manhã estivera
tão desanimado e cansado que quase não conseguira
se levantar, mas agora tinha no corpo sua fúria,
enchendo-o de força.
Homens o chamaram quando atravessou o pátio do
castelo, mas, em sua pressa, Ned os ignorou. Teria
corrido, mas ainda era a Mão do Rei, e uma Mão
deve manter a dignidade. Estava consciente dos
olhares que o seguiam, das vozes murmuradas que
interrogavam sobre o que ele faria,
O castelo era um modesto domínio a meio dia de
viagem para sul do Tridente. A comitiva real
impusera-se como um hóspede não convidado do
senhor do domínio, Sor Raymun Darry, enquanto
eram conduzidas as buscas por Arya e pelo filho do
carniceiro em ambas as margens do rio. Não eram
visitantes bem-vindos. Sor Raymun vivia sob a paz
do rei, mas a família lutara no Tridente pelos
estandartes do dragão de Rhaegar, e os três irmãos
mais velhos tinham morrido ali, uma verdade que
nem Robert nem Sor Raymun tinham esquecido.
Com os homens do rei, os de Darry, os dos Lannister
e os dos Stark, todos apinhados num castelo que era
muito menor que o necessário para recebê-los juntos,
as tensões ardiam quentes e pesadas.
O rei apropriara-se da sala de audiências de Sor
Raymun, e foi aí que Ned os encontrou. A sala
estava cheia de gente quando entrou num impulso.
Demasiado cheia, pensou; a sós, ele e Robert
poderiam ser capazes de tratar o assunto de forma
amigável.
Robert estava afundado na cadeira alta de Darry, na
extremidade mais distante da sala, com uma
expressão fechada e carrancuda. Cersei Lannister e o
filho encontravam-se em pé ao seu lado. A rainha
tinha a mão pousada no ombro de Joffrey, Espessas
ataduras de seda ainda cobriam o braço do rapaz.
Arya estava no centro da sala, só com Jory Cassei,
com todos os olhos pousados nela.
- Arya - chamou Ned em voz alta. E foi falar com
ela, fazendo ressoar as botas no chão de pedra.
Quando o viu, ela gritou e começou a soluçar.
Ned caiu sobre um joelho e a tomou nos braços. Ela
tremia.
- Lamento - soluçou -, lamento, lamento.
- Eu sei - ele disse, Ela parecia tão minúscula nos
seus braços, nada mais que uma menininha
magricela. Era difícil compreender como causara
tantos problemas. - Está ferida?
- Não - seu rosto estava sujo, e as lágrimas deixaram
trilhos cor-de-rosa nas bochechas. - Tenho alguma
fome. Comi umas frutinhas, mas não havia mais
nada.
- Em breve a alimentaremos - prometeu Ned,
erguendo-se para encarar o rei. - O que significa
isto? - seus olhos varreram a sala em busca de rostos
amistosos. Sem contar com seus homens, eram muito
poucos. Sor Raymun Darry reservava bem a
expressão. Lorde Renly ostentava um meio sorriso
que podia significar qualquer coisa, e o velho Sor
Barristan tinha uma expressão grave; o resto eram
homens dos Lannister, hostis. Sua única sorte era
que tanto Jaime Lannister como Sandor Clegane não
se encontravam ali, porque ainda dirigiam buscas a
norte do Tridente, - Por que motivo não fui avisado
de que minha filha foi encontrada? - Ned e